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O médico Dr. Dácio Rolemberg, na última segunda-feira (28/10), participou da reunião do “S.O.S MangueMar de Canes”, realizada na Colônia Z20 de Canavieiras, e no ato se colocou a disposição do movimento e fez algumas recomendações aos participantes da ação, sobre os cuidados que se devem ter no manuseio com o óleo no momento da retirada e em caso de contato com o resíduo.

Segundo Dr. Dácio, as manchas de óleo que apareceram em todas as praias da área da Resex, são responsáveis pela contaminação ambiental por petróleo cru, sendo uma mistura constituída de agentes cancerígenos, nefrotóxicos, irritantes respiratórios e mutagênicos. A toxidade é variável de acordo com a sua composição e tempo de exposição.

Recomenda aos voluntários do movimento e também aos banhistas sobre os cuidados que se deve ter comos olhos, a pele e com o sistema digestório. “É necessário ficar atento às doenças ocasionadas pela contaminação com o material, as medidas de prevenção e saber como agir.” Afirma.

Segundo Dr.Dácio, o contato com os olhos e da pele com as substâncias presentes no petróleo, como o benzeno, tolueno e xileno, pode provocar irritações, fortes dores nos olhos e na pele dermatite alérgica de contato e as principais sintomas da reação alérgica são vermelhidão, coceira e bolhinhas d’água em alguns casos, a depender do tempo de exposição. Se o tempo de contato for prolongado, pode haver tonturas e enjoos, principalmente quando se trata de idosos e crianças, que têm a pele mais fina.

 

O procedimento a ser feito é sair logo do local contaminado e lavar a região do corpo com água e sabão. Geralmente, quando o petróleo fica na areia, ele fica mais concentrado e pegajoso. Nesse caso, ele gruda na pele e, para retirá-lo, é indicado passar alguma substância oleosa que pode ser óleo de cozinha ou de hidratação da pele.

 

A reação da dermatite ocorre por um período curto e depois passa. Apenas nos casos mais intensos, quando o contato provoca bolhas, tonturas e enjoos é indicado procurar um médico para que o medicamento mais adequado seja prescrito.

 

Concentração – O recomendado é evitar o banho de mar nos locais afetados pelo petróleo. O médico explica que o banho de mar é mais perigoso que o contágio pela areia, pois, na água, a área de absorção do corpo é maior. Além disso, quanto mais a água estiver parada em piscinas naturais, área de corais e no raso, maior é a concentração das substâncias tóxicas.

 

Outro cuidado a ser tomado é em relação à ingestão de ostras e crustáceos, pois eles filtram a água e as substâncias ficam concentradas na pele desses animais. “Não se têm ainda pesquisa sobre o tema, porém é preciso saber a procedência desse tipo de alimento ao comprar ou evitar o consumo nesse período. A ingestão de alimentos contaminados pode provocar inflamação no sistema digestório e provocar cólicas, diarreias e dor no estômago”.

 

 

 

INTOXICAÇÕES AGUDAS

São causadas pela exposição imediata e podem ser por inalação, ingestão ou contado cutâneo.

 

  • Contato inalatório: causa irritação nos olhos, vias respiratórias (tosse, sufocação seguida de taquipneia e sibilos), dor de cabeça, náuseas, vômitos e confusão mental. Esse tipo de exposição pode evoluir para uma pneumonite química.

 

Por ingestão: irritação da mucosa gastrointestinal, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, insuficiência hepática e renal.

Contato cutâneo (pele): podem ocorrer dermatites alérgica ou irritativa, queimação e inchaço.

 

INTOXICAÇÕES CRÔNICAS

 

São causadas por exposição a longo ou médio prazo, podendo ocorrer distúrbios gastrointestinais, danos hepáticos e/ou renais, irritação das vias respiratórias, hipotensão arritmias e comprometimento das habilidades psicomotoras, transtornos mentais, alterações endócrinas e possíveis alterações reprodutivas.

 

RECOMENDAÇÃO DE SAÚDE A POPULAÇÃO EM GERAL:

*Não entrar em contato direto com a substância (petróleo cru), especialmente crianças e gestantes;

*Evitar contato com a água e solo nas regiões atingidas;

*Seguir as orientações da vigilância sanitária para consumo de peixes e frutos do mar nas regiões afetadas;

*Seguir orientações dos órgãos de meio ambiente sobre atividades recreacionais e de pesca nas regiões afetadas;

*Em caso de exposição ou aparecimento de sintomas, buscar o atendimento médico em unidade de saúde mais próxima.

 

Voluntários:

*Seguir as orientações dos órgãos competentes a exemplo do ICMBio, e do movimento “ S.O.S MangueMar de Canes”, ou outros órgãos local, antes de realizar a ação de voluntariado;

*Durante a limpeza recomenda-se evitar o contato direto com o óleo por meio do uso de: máscara semifacial filtrante (pff2) para ambientes aberto e semifacial com filtro de proteção para vapores orgânicos em ambiente fechado; luvas de borracha resistente; óculos de ampla visão; botas ou galochas de plástico ou outro material impermeável.

*Não é recomendada a participação de crianças e gestantes nos mutirões de limpeza.

*Utilizar óleo de cozinha e outros produtos contendo glicerina ou lanolina para remoção da substância na pele e lavar com água e sabão;

*Eventuais lesões de pele devem ser tratadas por serviços médicos especializados;

*NUNCA usar solventes (como querosene, gasolina, álcool, acetona, tiner) para remoção (esses produtos podem ser absorvidos e causar lesões na pele);

*Em caso de exposição ou aparecimento de sintomas, buscar o atendimento médico em unidade de saúde mais próxima.

 

Dr. Dácio Rolemberg, é de Canavieiras, médico com especialidade em oftalmologia.