ALEXANDRO ENTREGA A COMENTA A VAL

O Reitor da Universidade entrega a honraria a cacique Jamopoty

A Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) concedeu, nesta terça-feira (28), o título de Doutora Honoris Causa à liderança indígena Maria Valdelice Amaral de Jesus, conhecida como Cacique Jamopoty, em reconhecimento à sua trajetória de luta e resistência em defesa do povo Tupinambá. A cerimônia ocorreu durante sessão especial do Conselho Universitário (Consu), em comemoração aos 52 anos do campus Professor Soane Nazaré de Andrade, em Ilhéus, no sul da Bahia.

AUDITORIO LOTA UESC

Como o auditório lotado, as entregas foram muito festejadas

O evento reuniu autoridades acadêmicas, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil, destacando a valorização da diversidade de saberes e o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais. Além da honraria concedida a Jamopoty, outras lideranças também foram homenageadas, entre elas a anciã Maura Rosa Vieira Titiah, reforçando o protagonismo das mulheres indígenas.

VALDELICE FALA UESC

A cacique Jamopoty, agradeceu e falou da importância da honraria para povo Tupinambá de Olivença.

Primeira mulher a assumir o posto de cacique na Bahia e a segunda no Brasil, Jamopoty construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos territoriais de seu povo. Instituída cacique em 1999, ela se tornou uma das principais vozes na luta pela demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, enfrentando conflitos fundiários e reivindicando o reconhecimento oficial do território ancestral.

EVERALDO VALDELICE PATRICIA..

Os registros fotográficos entre indígenas e as autoridadespresentes ao evento

Sua liderança também se conecta diretamente ao legado de sua mãe, a anciã Nivalda Amaral de Jesus, conhecida como Amotara. Foi ela quem, no ano 2000, identificou em uma exposição em São Paulo o Manto Sagrado Tupinambá, artefato de profundo valor espiritual para o povo indígena. A partir desse reconhecimento, iniciou-se uma mobilização internacional pela repatriação da peça.

Após mais de três séculos sob posse do Museu Nacional da Dinamarca, o manto retornou ao Brasil em julho de 2024 e atualmente está sob guarda do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Para Jamopoty, o retorno do artefato representa mais do que a recuperação de um patrimônio histórico. trata-se da restituição de uma entidade viva, fundamental para a espiritualidade e para o fortalecimento da luta pela demarcação do território Tupinambá.

A concessão do título de Doutora Honoris Causa pela UESC simboliza um marco no reconhecimento institucional dos saberes ancestrais. Ao elevar lideranças indígenas à mais alta distinção acadêmica, a universidade reafirma seu compromisso com a inclusão, a justiça histórica e o respeito à pluralidade de conhecimentos que compõem a sociedade brasileira.

A cerimônia também reforça a importância de reconhecer o papel das mulheres indígenas na preservação cultural, na resistência política e na construção de novos caminhos para o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

Por Walney Magno